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Depoimento. Iany Mioline, sócia na empresa, prestou depoimento ontem e, segundo o advogado, ela também foi vítima do irmão, Thales

FOTO: MAÍRA VIEIRA
Depoimento. Iany Mioline, sócia na empresa, prestou depoimento ontem e, segundo o advogado, ela também foi vítima do irmão, Thales
Cidades

Clube dos Vencedores. Motorista que levou o dono da Firv, Thales Maioline, a SP deverá explicar paradeiro
Polícia vai intimar pelo menos mais seis no golpe milionário
Delegado disse que poderá pedir prisão do homem acusado de fraude milionária
THAÍNE BELISSA

Pelo menos mais seis pessoas deverão ser ouvidas no inquérito que investiga o golpe financeiro aplicado pela empresa Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros que afetou mais de 2.000 pessoas de vários municípios de Minas. Entre os intimados está o motorista do principal acionista da empresa, Thales Maioline, agora desaparecido, e duas mulheres que teriam acompanhado o empresário, na semana passada, até São Paulo. Desde a última sexta-feira, Thales não é mais visto.

Durante a manhã de ontem, os dois sócios da empresa, Iany Maioline, que é irmã de Thales, e Oséias Marques Ventura, prestaram depoimento na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio. Eles foram liberados após darem declarações aos investigadores.

As polícias de São Paulo, Ouro Preto, Itabirito, Araçuaí e da região metropolitana de Belo Horizonte, cidades onde a Firv tem atividades, já foram acionadas. Um mutirão está sendo organizado para ouvir os depoimentos de todas as vítimas, a partir da próxima terça-feira. "São 2.000 pessoas, então teremos que fazer um mutirão para colher o depoimento de todas", disse o delegado Anselmo Gusmão, que preside o inquérito.

O policial informou que irá a São Paulo na próxima semana para investigar as circunstâncias do sumiço de Thales Maioline. Ele não descartou a possibilidade de pedir a prisão do empresário. "Por enquanto, Thales é considerado desaparecido. Vou me apresentar à polícia paulista e tentar entender o que se passa por lá. Se for necessário, pensamos em pedir a prisão temporária dele", afirmou Gusmão.

Os sócios foram interrogados durante quatro horas e saíram sem falar com a imprensa. Segundo o advogado deles, Marco Antônio de Andrade, no depoimento, os dois disseram que foram convidados por Thales a fazer parte da empresa, da qual tinham, cada um, 5% das ações, mas também seriam vítimas do golpe. "A Iany ligou para o hotel onde o Thales estava, em São Paulo, e informaram que ele havia pago a hospedagem, mas a bagagem foi deixada lá. A Iany chegou a ir à cidade porque pensou que o irmão havia sido sequestrado, mas não o encontrou e registrou boletim de ocorrência", disse o advogado.

A polícia informou que só a partir dos depoimentos poderá calcular o valor exato da fraude. Ontem, na entrada da delegacia, o marido de Iany, que se identificou como Leandro, disse que vai perder a casa, pois investiu todo o dinheiro na Firv e não terá como pagar o financiamento. "Vamos ficar morando na casa do Thales e tem mais gente que foi prejudicada que está indo para lá também", disse. Ele contou que o cunhado sumiu sem dar notícias nem mesmo para a mulher. "Se eu soubesse onde ele está ia atrás dele".

O esquema:

1) Um agente da Firv contactava clientes interessados em investir. O fundo "Clube dos Vencedores" previa aplicação mínima de R$ 2.500, com promessa de que o dinheiro seria investido em ações e imóveis.

2) A cada mês, o investidor recebia 5% do valor aplicado e, ao fim de cada seis meses, mais 30% do valor inicial. O resgate do rendimento era feito por saque bancário. Muitos investidores não o faziam e reaplicavam o dinheiro.

3) O golpe foi descoberto depois que um dos clientes pediu resgate de R$ 3 milhões, no último dia 15. A empresa não fez o repasse e o dono, Thales Maioline, sumiu. A Firv funcionava sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).



Na sede da Firv, muitos investidores procuraram por informações

FOTO: DANIEL IGLESIAS - 28.7.2010
Na sede da Firv, muitos investidores procuraram por informações
Funcionários
"Tenho medo de sair de casa"

Na sede da Firv Consultoria, que fica no bairro Buritis, na região Oeste da capital, funcionários estavam transtornados. Muitos choravam compulsivamente. Um deles, que não quis se identificar, disse que está sendo ameaçado de morte por outras vítimas do golpe. “Saio na rua e tenho a impressão que todos estão me observando, mas estou no mesmo barco. Ele (Thales) levou meus R$ 50 mil, minha dignidade e meu respeito”, disse, bastante emocionado.

Segundo o homem, muitos dos clientes lesados não acreditam que os funcionários não participaram do esquema. Ele afirma, porém, que todos foram prejudicados, pois investir na empresa era exigência para quem trabalhava na Firv. “Tenho medo de sair de casa. Acabou a minha paz”, lamentou.

Outro funcionário contou que conhecia Thales Maioline há nove anos, mas nunca imaginou que ele daria um golpe. “Ele sempre se apresentou como o cordeiro, o melhor amigo que alguém podia ter e que sempre ajudava nas horas difíceis”, afirmou. O funcionário contou que foi convidado a trabalhar e, por isso, deixou para trás um outro emprego. “Pedi contas e investi tudo o que tinha. Agora, não sobrou nada e vou ter que devolver meu carro, pois não tenho dinheiro”.

Além do próprio prejuízo, o funcionário se sente culpado pelas outras vítimas que foram levadas à empresa por meio dele. “Quero pedir desculpas às pessoas que envolvi aqui. Queremos que o Thales apareça e dê uma explicação a todos. Queremos justiça”, protestou. (TB)

Sócios da empresa são réus em ação movida por investidor
Os três sócios da Firv são réus em um processo que tramita na 34ª Vara Cível de do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. A ação foi protocolada na última quarta-feira. Segundo o processo (nº 002410192764-8), um investidor da capital, M.C.R. requer a rescisão de contrato com a empresa e a devolução dos R$ 60 mil investidos por ele no "Clube dos Vencedores" da Firv. O processo está sob análise da juíza titular, Mônica Libânio Rocha Bretas. O autor da ação não foi encontrado para comentar o pedido.
Ontem, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regulamenta esse tipo de atividade, informou, em nota, que já identificou casos de golpistas que utilizam o nome de uma instituição registrada, mas oferecendo dados de contato (como telefone) diferentes. (Carolina Coutinho)

Publicado em: 30/07/2010



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