Aconteceu de novo. Um jovem empresário teria enganado várias pessoas, tomando seu capital ou suas economias para aplicar, com promessa de ganhos extraordinários. Inicialmente, o negócio atende às expectativas, mas um dia a casa cai. Diante da adversidade, o sujeito some.
Cerca de 2.000 pessoas estão chorando neste momento o dinheiro que confiaram a um empresário. O golpe pode montar a R$ 95 milhões. É dinheiro demais, extraído de bens pessoais e de negócios familiares. Em todos os casos, as pessoas acharam que poderiam ganhar mais.
O esquema da pirâmide, que nos Estados Unidos levou um conceituado operador financeiro, Bernard Madoff, à prisão, funciona enquanto houver investidores interessados para alimentar a corrente. Nos EUA, só explodiu porque eclodiu a crise de setembro de 2008.
Aqui, não há notícia de que alguém tenha ido à prisão. Lembramos o caso da União dos Propagandistas Católicos (UPC), que em plena era inflacionária prometia grandes lucros a seus investidores. Ontem como hoje, o carisma dos empreendedores foi decisivo à adesão.
Madoff era um senhor experiente. Grupos religiosos transmitem honestidade. Jovens exibem ousadia. A confiança é construída pela satisfação das expectativas dos primeiros investidores, que avalizam o negócio. Uma coisa puxa outra. Só que chega o momento da verdade.
Não há milagre que faça o dinheiro se multiplicar. Para que ele aumente, é preciso que haja alguma atividade produtiva a ancorá-lo. Hoje, no mundo, poucas atividades lícitas dão lucros acima do normal. Se isso ocorre, é motivo para desconfiar.
O governo tinha de fiscalizar essas atividades. Afinal, elas são públicas, às vezes intensamente publicizadas. Existe um órgão para isso, a Comissão de Valores Mobiliários. Mas ela só aparece depois que nada mais a fazer, a não ser entregar o caso para a polícia.
Chega um momento em que até os criminosos se dizem vítimas. Do capitalismo.