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Os marginais
Veículos da mídia estão expondo, nos últimos dias, a realidade do transporte clandestino em Belo Horizonte e na região metropolitana. Depois de um período hibernado, ele voltou com toda a força, inclusive é feito agora por carros de passeio. No âmbito intermunicipal, ele não deixou de funcionar um único dia, haja vista as ofertas nas redondezas da rodoviária.
BHTrans e DER-MG fizeram, quinta-feira, uma reunião para discutir o problema. Até junho último, o primeiro órgão fez 580 apreensões de veículos exercendo o transporte irregular de passageiros na capital. O segundo apreendeu 1.085 veículos em todo o Estado no mesmo período. A atividade seria incentivada pela brandura das punições ou pela impunidade.
Na semana passada, a passageira de uma van que fazia transporte clandestino morreu quando o veículo se chocou com um ônibus. O fato chamou a atenção das autoridades para a necessidade de uma providência. Mas na reunião da última quinta-feira, a que esteve presente também a Polícia Militar, decidiu-se apenas incrementar a fiscalização.
As autoridades receiam aplicar uma punição mais drástica por falta de uma base legal. A multa prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro é de apenas R$ 85. O veículo apreendido num dia volta a circular no dia seguinte. Ele resolve um problema que o trabalhador, principalmente o que reside nas regiões mais distantes, não pode ignorar, que é chegar ao trabalho.
Transporte clandestino existe em todo o país. Ele denuncia a deficiência e má qualidade do serviço de transporte público. O poder público ora o ignora, ora o combate, ora o enquadra. Na capital, a BHTrans absorveu-o parcialmente, criando o transporte suplementar, que atende principalmente as áreas de acesso mais difícil, como os aglomerados.
O poder público não vai acabar com os perueiros se não criar alternativas de transporte para a população. A repressão só fará aumentar o número de marginais. Os fatos o comprovam.
Publicado em: 02/08/2008