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Para dizer do que interessa

Que as campanhas eleitorais vão contar muito com a internet não é nenhuma novidade. Sem dúvida alguma, a mídia eletrônica (televisão e rádio) e a rede serão as principais ferramentas de todos os candidatos pelo país. Mas o que é interessante ressaltar é o peso que os instrumentos mais tradicionais de campanha podem ter nesta eleição. Há marqueteiros que apostam na junção da tecnologia com métodos para lá de conhecidos, como as caminhadas e o corpo a corpo com o eleitorado. A explicação é simples: o eleitor gosta de ver o candidato na tela, mas sente falta de uma proximidade real. Ver o candidato de perto, cumprimentá-lo ou receber um tapinha na costas são gestos considerados importantes pelo eleitor brasileiro, na opinião de especialistas.

O casamento das duas formas de fazer campanha pode não ser a alternativa mais barata ou menos cansativa, mas, por outro lado, pode ser muito bem-sucedida. A importância da proximidade entre eleitor e candidato é ainda maior em regiões mais pobres e carentes. Frases como: "pelo menos, esse candidato veio aqui ver o que está acontecendo", "ele prometeu que vai dar uma solução para o nosso problema", "ele perguntou para cada morador qual é a sugestão para resolver o problema" não raro são sempre ditas pela população após a visita de candidatos.

O discurso popular revela dois fatores importantes para uma campanha: o cidadão confia mais no que é dito pessoalmente e os problemas que mais preocupam não são os gerais, mas aqueles que interferem mais diretamente na vida da população.

Como em uma eleição para presidente, é difícil apresentar temas que tocam o eleitor diretamente, uma alternativa é buscar demandas nos Estados e municípios e, a partir delas, colocar propostas que possam ser desenvolvidas em alguma parceria. Em outras palavras, há uma tendência de nacionalizar as questões estaduais e municipais, bem como nas eleições municipais, há sempre um movimento de municipalizar os grandes temas nacionais.

A iniciativa, desde que resguardadas as devidas competências dos entes federados, pode ser muito positiva. Primeiro, porque leva a integração de esforços para soluções de problemas. Depois, ainda coloca na pauta da política nacional temas que, quase sempre, são esquecidos pelo governo federal, mas que são de importância para a população.

Existe ainda um ponto importante que é preciso ser destacado. Temáticas mais próximas da realidade do cidadão o atrai para a discussão política. E a participação popular é imprescindível na democracia. Assim, aos poucos, a população brasileira vai se mostrando capaz de dizer qual é a política que a ela interessa.





Carla Kreefft escreve neste espaço às sextas-feiras E-mail: carlak@otempo.com.br

Publicado em: 30/07/2010

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