O restaurante Fiorino fica na Tijuca, bairro agradável da zona Norte carioca, praticamente ignorado pelos turistas. Afinal, a maioria deles vai ao Rio apenas em busca de praia. Se isso diminui a visibilidade de alguns estabelecimentos, por outro lado lhes dá a chance de serem mais autênticos.
O bairro é tido, na cidade, como reduto de classe média conservadora, tipo tradicional família mineira, se isso é possível no Rio. Parece ser esse o segmento social que enche os salões do Fiorino, membro da Academia Gastronômica Italiana, de Bologna. O estabelecimento ocupa os dois andares de um sobrado e é clássico e elegante na decoração, atmosfera, serviço e arranjo das mesas. Massas, pães e pizzas são feitos na própria casa.
A relação custo-benefício é estupenda. A comida iguala-se à de uma Osteria Matiazzi ou um Anella´s, em BH. Com a diferença de que o ambiente é muito mais bonito e sofisticado. Vale a pena conferir. O risoto de frutos do mar é divino e bem fornido.
Já a Adega do Lusitano fica na avenida Assunção, perto do Mac Donald’s e do centro de Cabo Frio. O bistrô tem poucas mesas e pertence a Fernandinho, sujeito simpático e de sotaque português carregado. A carta de vinhos é surpreendente, reunindo gama variada de portugueses, acessíveis a todos os bolsos. O bacalhau à lagareiro pedia oração de louvor. Pescado soberbo, em postas altas e porção generosa para dois. O preço é correto e a relação custo-benefício, ótima. São dois restaurantes aos quais pretendo voltar, brevemente.
Para continuar falando de frutos do mar, estive novamente em dois bons estabelecimentos belo-horizontinos nessa matéria. O Atlântico, em Lourdes, é um deles. Comi excelente polvo na brasa, macio e muito bem temperado e ostras frescas gostosas, de tamanho razoável. Acho o serviço, no geral, atento e eficiente. Mas, às vezes, excede-se um pouquinho na busca de intimidade e afirmação de personalidade por parte do garçom. O risco é beirar a inconveniência. Reconheço que é difícil acertar a mão, no que concerne à informalidade elegante que deve ser almejada em ambientes como o do Atlântico. De todo modo, prefiro isso a salamaleques elitistas e provincianos.
Bem distante e diferente é a proposta do Baianera, em Santa Tereza, o qual continua servindo moqueca deliciosa de surubim moleque, numa atmosfera, aí sim, de natural informalidade. Os preços evidentemente têm por que serem menores. Ressalvada a qualidade presente nos ingredientes, lá e acolá, há que considerar possível abismo dos custos, entre uma e outra casa, tanto pela localização quanto pelo tipo de decoração, utensílios etc. O pirão deixa a desejar em consistência e condimentação. Tem mais pinta de mingau. O serviço é muito gentil e, pelo menos nos dias de pouco movimento, a comida chega com rapidez.