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Trata-se de denúncia gravíssima, que merece – ou melhor exige – mais detalhes



Denúncia vazia

TEODOMIRO BRAGA
teodomiro@otempo.com.br

Ao participar do debate de quinta-feira à noite na TV Band, como um dos jornalistas encarregados de perguntar aos candidatos, tive um breve entrevero com a candidata do PSTU que prossigo neste espaço. Em sua primeira intervenção no debate, Vanessa Portugal afirmou taxativamente que as empresas de ônibus coletivos de Belo Horizonte financiam candidatos para que eles governem de acordo com seus interesses. Preocupado com a gravidade da denúncia, o jornalista Eduardo Costa, da rádio Itatiaia, voltou ao assunto na sua vez de perguntar aos candidatos, pedindo à Vanessa que explicasse melhor a denúncia. A candidata do PSTU não só reiterou a acusação como foi além, dizendo que os governantes de Belo Horizonte não melhoram o sistema de transporte coletivo da cidade e nem ampliam as linhas do metrô porque são financiados pelas 16 famílias que controlam as empresas de ônibus coletivos de Belo Horizonte e por isto agem de acordo com o interesse de seus corruptores.

Trata-se de denúncia gravíssima, que merece - ou melhor exige - mais detalhes, para que seja devidamente apurada. Por isto, na minha vez de perguntar, pedi à candidata do PSTU que desse os nomes aos bois, informando quem são as empresas de ônibus que corromperam os governantes de Belo Horizonte e quais foram os prefeitos que se deixaram corromper. Como eu disse no debate, se tornasse público essas informações cruciais, Vanessa Portugal estaria se credenciando a ocupar a cadeira de prefeito da nossa capital.

Se não desse os nomes, entretanto, ela teria cometido um ato de irresponsabilidade e de leviandade, o que a desqualificaria como candidata a prefeita de BH, pois estaria colocando sob suspeição os prefeitos que comandaram Belo Horizonte nos últimos anos, entre eles o atual prefeito, Fernando Pimentel, cuja gestão é aprovada por mais de 70% da população, o seu antecessor, Célio de Castro, o "Doutor BH", que morreu na semana passada, além de Patrus Ananias, hoje um dos mais importantes ministros do governo Lula. A lista inclui ainda o senador Eduardo Azeredo, que comandou a Prefeitura de Belo Horizonte entre 1990 e 1993.

Diante do meu questionamento, Vanessa Portugal enrolou-se e não mencionou qualquer nome de corruptor ou corrupto. Insisti na cobrança e ela novamente esquivou-se de dar os nomes aos bois, o que me levou a concluir que a candidata do PSTU, na ânsia de ganhar a simpatia dos eleitores, lamentavelmente agiu de forma irresponsável e leviana, fazendo uma denúncia vazia que não trouxe qualquer contribuição para o esclarecimento dos eleitores nesta largada do debate eleitoral para a escolha do futuro prefeito de Belo Horizonte.




Teodomiro Braga escreve neste espaço aos sábados E-mail: teodomiro@otempo.com.br

Publicado em: 02/08/2008

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